maio 22, 2016

(Cartas Anônimas) Sobre a filha de um descuidado.

Nota:Escutar Piece by Piece, by Kelly Clarkson


Eu pareço um cd qualquer com a sua música favorita; vivo repetindo os mesmos trechos na intenção de que não me esqueça.Não quero que deixe a capinha de lado, apenas porque a arte pareça meio legal.Até nos sonhos mais recentes, seu rosto surge como um heroi de histórias de quadrinhos, em que você é o sempre o cara que está cantando country e eu a garota que ri sobre tudo.E a sua salvação julgo necessário no momento em que os dias parecem anos e não consigo encarar a realidade.A melodia é tão boa e seu sorriso sublinha o sol com uma facilidade estranha.A confusão imposta nas minhas palavras trava qualquer sentimento bom que esteja queirando demonstrar,mas...você está?Abandonar suas asas e cortar minhas flores não é exatamente a maneira correta de seguir a vida.Esteve numa posição complicada.Quase morreu.Reviveu.E me esqueceu.Escondeu no meio da bagunça que chamou de vida.Ainda dói a ferida de semana passada.Tentei de tudo,sabe.Cheguei em casa(após um dia de cão no trabalho) e jantei ao seu lado.Perguntei sobre o dia e até arranquei um sorriso desse rosto tão impassível.E pode estar aqui todos os dias, mas nunca sinto sua presença na minha.A alma é composta de dois corações; você sempre foi egoísta.



"Ela é muito fechada", minha irmã mais velha disse.Você apenas concordou com um entonado "Ela sempre se fecha no quarto e não fala com ninguém".Obrigada por considerar todas as noites em que assistimos o Globo News, porque na verdade, a única coisa que eu apreciava eram suas palavras inteligentes.Obrigada por insistir que sou uma palavra perdida em qualquer dicionário  velho, porque nego a sua insistência pela minha vida.Completei uma faculdade para que sentisse orgulho de mim, e tudo o que recebi foram cobranças e algumas palavras que cravei aqui.No coração.Eu te amei tanto.Tentei tanto.Talvez a vida ensine como definir um gesto que existe prática e perfeição; nunca me esforcei tanto,hm?Mas ainda sustento na memória os dias que passamos as tardes juntos e todas as risadas que soltou comigo.Ainda é pelo seu sorriso que chego em casa mais ou menos animada.Ainda é para você que conto os meus sonhos, medos e outras diálogos que você insiste em deletar.O que eu fiz de errado? Eu só anseio pela sua mão no meu cabelo.Pelo abraço caloroso ou então uma lágrima por um momento doloroso.Eu ainda guardo na memória todos os lanches que comemos em botecos.Ainda tento substimar minha mágoa quando você diz algo horrível.Todos erram, digo a mim mesma todos os dias.Eu te amo,caramba.E eu ainda vou levar no peito a vez que não pode comparecer ao lançamento do meu primeiro livro e você chorou.Cadê?Cadê as noites de verão?Cadê o meu pai?Se você achar esse cara, pode, por favor, trazê-lo de volta?A terra nunca mais foi a mesma sem ele.



Xoxo,

Carol.



1 comentários:

Fernanda Rodrigues disse...

Terminei o texto com um nó na garganta.
Tão belo e tão doloroso...
É incrível a forma como você transmite os sentimentos. ♥

Beijos,

Algumas Observações

PS: Te mandei o e-mail :D
(Desculpe a demora nisso!)

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