maio 31, 2016

(Resenha) Vivian Contra O Apocalipse, by Katie Coyle

Nota:Escutar Human, by Gabrielle Aplin                          

 Informações técnicas
Autor(a) Katie Coyle
Título Vivian Contra o Apocalipse
Páginas 240
Editora Nova Fronteira
Ano 2015
Assunto Literatura Estrangeira - Romances
Idioma Português                                


                                                                Sinopse
Vivian Apple tem 17 anos e mal pode esperar pelo fatídico “Arrebatamento” — ou melhor, mal pode esperar para que ele não aconteça. Seus devotos pais foram escravizados pela Igreja há tempo demais, e ela está ansiosa para que tudo volte ao normal. O problema é que, ao chegar em casa no dia seguinte ao suposto evento, seus pais sumiram e tudo o que restou foram dois buracos no teto… 
Ela está determinada a seguir vivendo normalmente, mas, quando começa a suspeitar que eles ainda podem estar vivos, Vivian percebe que precisa descobrir a verdade. Junto com Harp, sua melhor amiga, Peter, um garoto misterioso que tem os olhos mais azuis do mundo e informações sobre um possível paradeiro dos seguidores da Igreja (ao menos é o que ele diz), e Edie, uma Crente que foi “deixada para trás”, os quatro embarcam em uma road trip pelos Estados Unidos em pleno pré-apocalipse. Mas, depois de atravessar quilômetros enfrentando eventos climáticos bizarros, gangues de fanáticos religiosos vingativos e um estranho grupo de adolescentes autointitulado “Novos Órfãos”, Vivian logo vai entender que o Arrebatamento foi só o começo. 
Katie Coyle, vencedora do Young Writers Prize do jornal The Guardian em 2012, imagina uma realidade infelizmente muito próxima da nossa, em que capitalismo, política, entretenimento e religião se combinam para criar uma cultura de intolerância que o Arrebatamento só faz aumentar. Com reviravoltas surpreendentes, humor mordaz típico da geração Y e personagens femininas que não devem nada a ícones pop como Buffy e Rory Gilmore, Vivian contra o apocalipse é uma estreia única que vai fazer você questionar até onde iria pela verdade.

Eu admiro a Katie Coyle.A primeira frase dessa resenha elogia a autora por ser tão corajosa e cuidadosa com as palavras em seu livro.Há um tempo li a sinopse e me apaixonei de cara.Estava ansiosa pelo que estava por vi no decorrer dos capítulos, mas quando me dei conta de que realmente a história era maior do que eu pensava, fiquei receosa de escrever essa resenha.

Katie aborda um tema discutido sempre( e com uma certa polêmica) que é a religião.Quando misturamos a política com Deus, a coisa fica preta e tudo vai para o buraco não é mesmo?E ainda mais quando fala de apocalipse, que é uma  questão TÃO discutida.

A história é narrada por Vivian(ela é toda certinha e sempre obedece aos pais), e começa numa festa com sua melhor amiga onde todo mundo comenta e morre de medo do Apocalipse.Harp( BFF) relembra Vivi das falas do Pastor Beaton Frick, em que ele afirma que quem não segue Jesus estará morto no meio desse caos que chamaram de "Arrebatamento."

A autora não julga a religião em si, mas consegue esclarecer o seu ponto de vista.Sabemos que há casos dentro das Igrejas que não tem explicação e manipulam as outras pessoas com coisas banais, tipo, dinheiro.

"O silêncio é como um peso me puxando para baixo.Se ao menos eu conseguisse me levantar e subir as escadas..." Página 22


Após a festa,Vivian vai para a casa e não encontra os pais.Há algo estranho.O teto está todo esburacado e seus protetores familiares fugiram de casa.O que pode ter acontecido?Quem pode ter levado os dois?Será que era o começo do Apocalipse?

Percebemos uma certa dúvida na cabeça de Vivi em relação ao Arrebatamento.Não sabe se realmente o mundo está acabando ou isso é apenas uma besteira da Igreja pra aproximar as pessoas fiéis e manipulá-los.

Conturbada e completamente confusa, Vivi vai até a escola aonde estuda e fala com sua professora de história,Wasnbaugh.Esta, já com outra cabeça( mais parecida com a minha, no caso,rs) explica para alguns alunos e Vivi, que na verdade, o mundo já está acabando.Com todas as guerras e a violência em excesso, precisa realmente de uma grande explosão para que o mundo seja engolido?Achei essa reflexão super válida.

Nessa hora, os avós de Vivian tomam a guarda da criança e decidem mantê-la em casa até tentar entender o que de fato aconteceu.Ainda atordoada com toda essa história, Vivi não consegue ficar quieta enquanto os avós permancem tranquilos com a situação caótica.E então, conhece dois amigos e viaja com eles até encontrar o lugar que Frick levou todos.Ou não?

Paro a minha resenha aqui, só acrescentando que tem continuação.E estou louca para ler.É importante pensarmos sobre a importância de Deus e como algumas pessoas O usam para ganhar dinheiro e se dar bem né?Precisamos estar atentos á isso.
Espero que tenham gostado da resenha.

Xoxo,

Carol.

maio 30, 2016

(Nuccia de Cicco) Editora Illuminare

A Livraria on-line Illuminare está no ar há menos de uma semana e o livro Pérolas da minha Surdez já está em destaque!!! <3
E você ainda não tem o seu???? tsc tsc tsc...





























Xoxo,

Carol.

maio 28, 2016

(Desabafo) Sem valor?

Nota:Escutar Scars to Your Beautiful - Alessia Cara

Eu não entendo.
Escutei isso durante a vida inteira( e olha que só tenho 23 anos de idade).Eu subestimei os próprios conhecimentos espirituais, pela opinião alheia.Ok, aqui falo das pessoas que amo e rodeiam todos os meus dias,mas..sério?Eu não quero passar por isso.Se eu fechar os olhos, posso contar as vezes em que tentei passar uma maquiagem básica.Gosto do lápis preto porque não mostra as olheiras do choro da noite passada ou então do cansaço eterno.Eu gosto de um batom clarinho porque nunca gostei de chamar atenção.Preciso mesmo provar ao mundo que estou aqui?Sempre tive na mente que necessito da provação interna( e ultimamente, nem isso tem dado certo).Então, o que há de errado comigo?


Esses dias fixei minha alma no espelho e dei um meio sorriso.Amo meu cabelo liso; quando acorda de "bom humor" tem uma textura ótima e fico bonita.Eu me sinto bonita.Sem pintura nenhuma.Sem nenhuma máscara para esconder meus condicionamentos  ruins da alma estragada."Ele não vai gostar de você desse jeito".E blábláblá.Eu discordo totalmente.Ele me ama no preto e branco.Ele me ama na bagunça.Ele me ama naquela preguiça de domingo.Ele me ama nas piores crises.O amor é mais do que maquiagem e beleza externa.O amor é ESSÊNCIA.E não é só amor entre homem e mulher.É amor próprio.

Antes de colocar aquele tutorial sobre iniciantes na maquiagem, corre para o banheiro e fica( pelo menos) uma hora encarando sua tristeza sem motivo algum.Respire fundo, dê um meio sorriso para elevar a auto-estima e então conclua: você precisa encontrar os defeitos que acobertou na alma.Precisa melhorar.Precisa parar de ser tão insegura.Precisa parar de escutar os outros e simplesmente seguir em frente.A beleza interna é tão maravilhosa.Entendeu?

Sim sim.Agora ficou mais claro.Não vestir a última moda.Não passar aquele batom super caro.Não te faz uma zé-ninguém.Faz com que saibamos o seu próprio valor.Bora garota.Empina o coração e continue andando.Amo o seu jeito destrambelhada.







Xoxo,


Carol.

maio 27, 2016

Lançamentos de Maio - Chiado Editora ( Parte III)

Esta é uma história de uma Sapinha que gostava tanto de se cuidar e se olhar nos reflexos das águas que se esquecia da vida e do mundo à sua volta. Vaidosa? Talvez! Porém em um belo dia de sol, ao passear às margens de um lago a admirar-se, percebeu que alguém a observava e ficou muito confusa sentindo-se espionada. Ela ainda não sabia que dali nasceria um novo sentimento que acabaria mudando toda a sua vida e revelando um grande segredo.










Pode o tempo mudar um amor destinado a existir e a perdurar? Pode um amor antigo sobreviver ao presente e à doença?
Inês e Jorge viveram, na sua juventude, um namoro idílico, invejado e admirado por muitos, amando-se profundamente. Quando o destino se encarrega de os separar, por circunstâncias indesejadas e mal interpretadas, Jorge parte em busca da realização das suas ambições, tornando-se num respeitado e conceituado cirurgião cardiotorácico. Inês fica onde sempre esteve, revelando-se uma profissional dedicada e mãe extremosa, demasiado ligada a tudo o que não seja ela própria.
Doze anos depois, tudo muda. Jorge regressa, precipitando Inês numa espiral de emoções contraditórias, à medida que ambos reavivam sentimentos e revoltas antigas. No entanto, agora existe Sofia, uma menina perfeita e dócil que encanta e confunde Jorge desde o primeiro momento e que Inês resguarda com o velo de uma mãe impetuosa.
É neste contexto que Inês descobre que está gravemente doente, com um cancro da mama. E, ao mesmo tempo que luta entre um amor que nasceu para ser eterno e um conjunto de dúvidas e amarguras que a perseguem desde há muito tempo, começa a lutar também pela sua sobrevivência, descobrindo que a vida nos pode trazer muito sofrimento mas também algumas surpresas.





“O Soldado de Catuma” coloca perante o leitor impensáveis tormentos que o levarão a enfrentar um pesadelo ao vivo. É a eviterna comédia humana.
A obra desenvolve-se em parte nas grandes manchas florestais de Namara e Malombe tão carregadas de mistério. As personagens lidam com gente estranha, calcorreiam esbraseantes planícies, embrenham-se nas densas florestas, sobem rochedos alcantilados e sempre desprovidos do aconchego de meios básicos de sobrevivência. E também sentem a impensável raiva dos homens.
Os eventos decorrem a um ritmo alucinante e os flagelos são apresentados em detalhe e com extrema crueza. A esperança era uma boia de salvação para os caminhantes, mas também se rompia vezes sem conta, todavia, permitia-lhes irem além do que as enfermiças forças consentiam arrastando-se ao lado da morte sem um instante de refrigério. E há Férido Trevante, senhor de Lagonte e do Inferno; é abantesma que assusta só de recordá-lo.
Adriano, o denodado soldado de Catuma, é a força que muito espanta aqueles que o acompanham. Refém de Marte, é o soldado duro, inflexível e impressivo amparando no mar verde os náufragos de tenebroso destino.
E quando os sobreviventes julgavam estar, enfim, próximos do fim dos padecimentos, eis que o inferno cai sobre eles. É sofrimento que enoja as hienas. Afinal, o labiríntico maciço verde que tanto os martirizara era uma madeixa de cabelos sedosos da mãe natureza.
Desejo aos leitores momentos de bom entretenimento.
Boa viagem.     




André é um jovem solitário, perturbado com a miséria que reina em todos os locais por onde passa. Vive a dois passos de desistir de tudo e de se fechar em casa a apodrecer. Felizmente, conhece Joaquim, um velho enérgico mas desgastado emocionalmente por uma vida de infortúnios e más escolhas.
Aos poucos, apercebem-se do quanto têm em comum e ganham mais e mais ânimo ao compreenderem de que forma podem ter influência no mundo à sua volta.















Aamir veio para Lisboa para tentar sair da pobreza a que parecia irremediavelmente condenado. Os anos passaram entre esquemas e uma indigência banhada a álcool na baixa da cidade. Um acaso mudou-lhe a vida, levando o indiano a acreditar que poderia contrariar os deuses, ousando traçar o seu próprio destino.

















A presente colectânea de 49 textos desdobra-se em três grupos: o primeiro reúne 38 contos cuja característica comum é a de serem compostos por apenas cem palavras, dois deles escritos em verso; o segundo abrange um conjunto de oito poesias, sete em forma de soneto e constituindo a última um pequeno poema em quatro quadras; o terceiro abarca novamente três contos, diferentes dos anteriores quanto à sua estrutura e densidade lexical. Cada categoria está, quanto à sua elaboração, circunscrita a um determinado período e os textos vão, por sua vez, surgindo com a respectiva data neles aposta e, portanto, em consonância com a sua progressiva feitura no tempo.
O autor da presente obra, não sendo escritor - no contexto em que tal profissão é habitualmente entendida -, tem a plena consciência da sua despretensiosa vocação literária. Essa convicção não o inibiu, contudo, de desejo de seleccionar os presentes textos, entre os poucos que esporadicamente foi escrevinhando nos últimos anos e, porque "pressionado" por opiniões amigas, ousou concluir apresentarem os mesmos um mínimo de qualidade literária, submetendo-os assim ao veredicto do leitor.
As razões expostas e também o facto de nunca ter planeado minimamente a redacção dos seus escritos, muito menos a sua publicação, e porque os mesmos foram o resultado de meros impulsos ocasionais, desorientadamente, de improviso, ao acaso e sem qualquer rumo, legitimaram, da parte do autor, a escolha do título da obra.




Depois de algum tempo a sós contigo, decidi avançar e mostrar-nos ao mundo!
- Como assim?
- Decidi que vamos ser num livro!
- Sério?
- Sabes aquelas conversas que temos tido? Vão definitivamente ganhar vida!
- Estás a falar destas conversas? As nossas conversas todas!?
- Talvez faça uma seleção das mais inspiradoras.
- E vai ser possível toda a gente ter a possibilidade de as ler?
- Sim, a ideia é essa. Há outros seres que também têm um “tu” e um “eu” tal como nós e talvez gostem de nos ler…
- Queres dizer que não somos únicos a conversarmos connosco?
- É, estamos mesmo acompanhados nesta experiência estranhamente misteriosa…





«Grandes batalhas só são dadas a grandes guerreiros.»
Mahatma Gandhi
1869-1948

“O amor não se distingue, o amor é simplesmente o amor. E se uma pessoa diz a outra que a ama, a própria linguagem supõe a expressão "para sempre". Não tem sentido dizer: “Amo-te, mas é só até encontrar alguém melhor. Apenas enquanto ficares comigo e me fizeres sentir bem. Quando te fores embora deixarei de te amar e amarei outro...”. Um "amo-te" que implique "só por algum tempo" não é um amor verdadeiro. É uma forma de apego. Um sentimento temporário de bem-estar com aquela pessoa.
- Acredito. Mas deixa lá. E tu? Vieste ver-me?
- Sim, vim ver como estavas.
- Não conseguiste esperar pelo jantar, para me ver?
- Epá, que convencido tu me saíste!
- Convencido nada! Então não é verdade?
- Olha importas-te de não ser sempre tão direto nem querer que as pessoas o sejam?
- Então não é isso que se quer? Que as pessoas sejam sempre sinceras e honestas?
- Há coisas que têm mais piada se não as dissermos logo!
- Tens razão. Há coisas que se dizem sempre, outras que não se dizem nunca, outras que se dizem apenas uma vez.
- E há outras que dizemos com o olhar! Desculpa, mas é melhor ir.
- Já? Mas estás bem?
- Pronto, também não precisas apertar com tanta força!
- Não sei quando vou voltar a abraçar-te. E assim é da maneira que todos os teus pedaços voltam a juntar-se outra vez.
- É mesmo…?”
Mas ninguém podia prever o que estava para acontecer: algo que mudaria a vida de toda a humanidade. Um acontecimento que irá colocar à prova o sentimento mais nobre e puro que o homem alguma vez conheceu. Russell vai ter de fazer a escolha mais difícil da sua vida.
Uma história de amor, morte, traição e suspense, marcada pela força esmagadora do destino. GUERREIRO promete prendê-lo até à ultima página e fazê-lo aguardar ansiosamente pela continuação.






maio 26, 2016

Lançamentos de Maio - Chiado Editora ( Parte II)

"O teu piso sagrado
E as sementes da tua essência,
Mais férteis e mais fortes
Do que a minha imaginação
Repercutem-se e multiplicam-se
Nas minhas veias,
Na minha carne
E nos meus ossos cansados.
A lei e o humano
O humano e o utópico
O utópico e a minha morte
A nossa morte
Mortes de todo um ser físico
Através e dentro de um seio
Materno e material."





Goa, na Índia; Paris, boémia e «Nouvelle Vague», barricadas e bastidores da Sorbonne, atordoada em Maio de 1968 por ideologias diversas e pelo dever de “beijar o seu amor sem largar a espingarda”; “Revolução dos Cravos”, em Portugal; Brasil do segundo milénio, onde encanto e cultura dormem entrelaçados com uma pandemia de corrupção e violência.
Na crista da onda do turbilhão das páginas de “O andarilho e o manequim”, Leonardo e uma parafernália de ecos históricos a várias vozes e personagens, desenlaces, a doce Genoveva; um “diálogo” entre o autor e o amigo José Pedro Barreto, já no além; tiros na madrugada; um manequim articulado e uma motocicleta «Honda» da década de 80; insólita técnica de abordagem – assunção do presente histórico, flashbacks, narrativa recheada de voluntárias rupturas de estilo: literário, poético e jornalístico.






A primeira cirurgia cesariana no Brasil foi realizada no Hospital Militar da Vila do Recife no ano de 1817. Este hospital funcionava nas dependências do Convento do Carmo da Ordem Franciscana. O autor da intervenção foi o médico pernambucano de Goiana, José Correia Picanço, graduado em medicina pela Universidade de Paris e depois lente da Universidade de Coimbra. A paciente, uma negra liberta. Mãe e filho sobreviveram. Nada mais existe sobre este assunto. O livro trata no contexto ficcional da vida da criança, um menino com o nome de CESÁRIO. Pelo seu nascimento inusitado recebeu benesses negadas na época aos seus irmãos de cor. Sua trajetória de sucesso profissional o colocou em posição totalmente diferenciada da realidade do negro, no decorrer do século XIX no Brasil. A narrativa dialogal leva o leitor a mergulhar no cenário e na trama, exclusivamente pela imaginação dentre palavras trocadas pelos personagens. O enredo desenvolve-se em Pernambuco e na Região Subsaariana do Mali.




Uma viagem iniciada com as gentes e paisagens fronteiriças da Cova da Beira, nos anos 50 a 70, em contraste com as gentes citadinas. Sortes diferentes para um Oficial citadino e um Soldado aldeão na guerra da Guiné. Os passos de revolta da Cª. Caç. 4246/73, já mobilizada para Angola, que participou na revolta militar do 25 de Abril de 1974. O destacamento da Companhia para a província mais tribal de Angola para conviver com o povo Bunda, com notórias semelhanças e diferenças culturais. O regresso a Luanda, três meses depois, como Companhia de Intervenção para os horrores da guerra civil em 1974/75, onde os brancos assustados ficaram expostos às vontades das catanas e espingardas negras, por culpa do Senhor Governador e dos políticos em Lisboa, e dos anciãos angolanos que, simultaneamente, ansiavam estar vivos até ao dia da independência.





.não fazer
                              dos caminhos
                     ....da vida todos
              tortos,,,

                             ...mas se são
             por caminhos
             tortos...
,,,que se faz
                    a curva....

               ,,,e essa curva
                     toma a forma
                                     do teu coração.......







A Adélia, mais uma vez absorta na sua tarefa higiénica, debruçava-se sobre o lavadouro com as mãos a libertar da roupa a sujidade que carregava, num frenesim de esfrega e bate, imprimindo ao seu corpo esbelto e de estatura média-baixa, impulsos ritmados, ao mesmo tempo que, curvada do tronco sobre a pedra de lavar, os seus peitos oscilavam num vaivém pendular. A espaços, colocava-se em bicos dos pés e encostava suavemente o seu ventre ao topo do lavadouro, a fim de colocar o máximo do seu peso com as mãos sobre o rolo de roupa, levando na espremedura a água a escapar-se por entre os dedos em formas de esguichos caprichosos.










"(...) Sons jamais escutados emergiam do escuro da mata. Quando parei Atenas, Lis sabia que eu me havia perdido. Mas ela não tinha medo, nem eu. Na realidade, gosto muito de fazer isto. Perder-me à própria sorte! É quando descubro as mais lindas coisas do mundo. Exatamente como o que aconteceu a seguir."
O Príncipe do Deserto e a Estrela Cadente é a história de um encontro: de uma princesa arteira e de um príncipe corajoso. Juntos, eles partem à galope em busca de uma grande aventura. 












Através dos tempos, a redescoberta do Paraíso terrestre tem motivado o avanço da civilização, acionando o plano divino planetário, antes mesmo da era das grandes navegações. Nesta trama, China, Portugal e Brasil se integram, a partir da expansão marítima lusitana, quando misteriosa estatueta de Kuan Yin Bodhisatva, Mãe Divina asiática, - equiparável à Virgem Maria, no Ocidente -, dá origem a uma excitante aventura. Os personagens e as histórias se entrelaçam ao longo dos séculos, revelando a força sagrada feminina de muitos nomes, que inspira a evolução humana e prefigura a nova Idade de Ouro aquariana. Tudo começa com a viagem de Emanuel dos Santos, um jesuíta português, a Macau e ao Brasil, no século XVII. Paralelamente, nos dias atuais, Meili e Yan, jovens brasileiros de origem chinesa, se lançam em busca da ‘Dama de Jade'...
Dentre os personagens, todos fictícios, se excetuam os monarcas de Portugal, D. Dinis e a Rainha Santa Isabel, revelados conforme sua perspectiva visionária, dando a conhecer o legado deixado às gerações posteriores. Poderá o Brasil vir a tornar-se a Terra da Promessa, pressentida por tantos profetas? Vamos realizar a utopia chamada Brasil? Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal, canta Chico Buarque em Fado Tropical.
Ao descortinar os segredos encerrados nas páginas deste livro, leitor, sua viagem interna será certamente desconcertante e encantadora. 


Um inspector da polícia no Porto depara-se com um caso de disparo de bala dentro da sua própria esquadra e vê-se envolvido numa investigação resultante da queixa de um padre. 

É a história de um polícia, uma história de amor na sua forma mais pura e inocente. Conta a dor, que sem pedir licença, se torna nossa vizinha.














“Foram dias de um verdadeiro pesadelo. Nessa embarcação que fazia a deslocação da Beira para Quelimane viajavam apenas treze passageiros, mais a tripulação. Era um barco de carga que ia com muito peso e que enfrentou nessa viagem uma tempestade medonha que foi um autêntico inferno, com trovoada, chuva intensa e muito vento. A ondulação era enorme e o barco rangia por todo o lado, parecendo muitas vezes que se ia partir ao meio. As refeições tinham de ser no camarote e constavam apenas de bolos secos e refrigerantes, pois nada se equilibrava. A senhora que viajava com os filhos e que já tinha feito muitas vezes esta mesma viagem dizia que nunca tinha visto coisa assim. Lembro-me que as suas filhas choravam e que não tínhamos autorização para sair dos camarotes, nem sequer para espreitar. Foi uma viagem para nunca mais esquecer mas quis Deus que chegássemos à barra do porto de Quelimane, onde contudo nos viemos a deparar com outra luta...”




…após varias tentativas de aproximação goradas arriscaram um tiro demasiado longo ao velho macho que viria a pesar mais de 900kg , o impacto da bala fora do ponto vital, precipitou o búfalo ferido de morte numa carga impiedosa em direcção ao grupo a mais de 40 km por hora ,escolhendo me a mim como alvo , separado deles cerca de 60 m, lembro me desse instante como agora mesmo...














                                                                     Continua...






maio 25, 2016

Lançamentos de Maio - Chiado Editora ( Parte I)



Quem é a criança que não fica triste
quando o seu balão lhe foge dos dedos
e voa bem alto até desaparecer?
E alguém já sabia que todos esses balões vão parar,
afinal de contas, ao Balunário, um lugar fantástico
que só a eles lhes pertence?!
Esta é a história do Bebélão, que um dia escapou
das mãos da Clara e do Luís.
Das suas amizades e descobertas
 lá em cima e, acima de tudo,
da mensagem que foi capaz de transmitir
a todos os balões perdidos:
um Bebé tem muito a ensinar aos mais crescidos
e merece toda a atenção do mundo.





O presente trabalho parte de um artigo do conhecido cronista Germano Silva, publicado no JN em 2013, que por volta de 1780 dava a Quinta da China - “velha de muitos séculos”- como pertencente a João Lopes Ferraz.
Procurou-se então conhecer a sua história e quem foram ao longo do tempo os seus detentores, para além dos Bessa e dos Ferraz, bem como a sua importância como retiro ou entreposto de mercadorias do oriente e do vinho do porto.
Dá-se especial destaque à sua posição estratégico-militar, no contexto das guerras que envolveram a cidade do Porto no Séc. XIX, pelo que se descrevem episódios bélicos lá ocorridos durante a invasão francesa de Soult (onde no dia da invasão de 1809 um filho de João Lopes Ferraz ali foi morto por um soldado francês) e nas guerras liberais (1828-1834).
Nesta procura deparamos com informações sobre um outro irmão, Manuel Lopes Ferraz, ido em jovem para o Rio de Janeiro, onde casou e que mais tarde se veio também a radicar no Porto. Na sua descendência encontramos personalidades que muito se destacaram, designadamente uma bisneta, a Baronesa de Santos, que foi a mãe do Cardeal  D. Américo (2º Cardeal do Reino e Bispo do Porto) e uma trineta que casou com Raoul Mesnier du Ponsard, grande engenheiro da passagem do Séc XIX para o XX, responsável pela construção do funicular do Bom Jesus e do projecto dos vários elevadores de Lisboa como o de Santa Justa ou do Carmo.
Testemunha-se também a saída da posse da propriedade dos descendentes Bessa Ferraz para os pais das pintoras Aurélia e Sofia de Sousa, onde tanto se inspiraram e que tantas vezes retrataram a Quinta e a bela paisagem envolvente.
Actualmente a propriedade, que passou em 1975 dos familiares de Aurélia de Sousa para a família do empresário António da Mota, permanece bem restaurada e mantendo as magníficas vistas para o Douro, agora entrecortadas pelos perfis de esbeltas Pontes do Séc XXI.  




Andy Aaron Ray é um famoso pugilista da década de 60 que perde tudo o que conquistou durante sua carreira de boxeador e ao envelhecer se vê diante da miséria, da culpa e da solidão.
Em 1964, após sair de um coma profundo, é roubado por seu empresário e forçado a deixar o glamour de Las Vegas para viver como um mendigo andarilho no sul dos Estados Unidos, até ser encontrado por um jovem casal de médicos e ser convidado a morar num velho celeiro nos fundos de uma mansão.
Por causa dos duros golpes recebidos na juventude, Andy acaba adquirindo diversas sequelas físicas e emocionais. Mas agora, com 74 anos de idade e doente, ele se encontra num profundo estado de melancolia.
No entanto, quando tudo parece perdido, no início de 2014 conhece Budd, um menino de apenas oito anos de idade que se torna seu amigo e lhe revela os segredos da vida e da morte.
Quem pode ser este menino? De onde ele vem? Por que ele deseja tanto ajudar um velho doente e derrotado?
Uma impressionante história de amor e redenção que levará você a compreender que existe algo maior regendo o nosso mundo. Algo extraordinário que vai além do que nossos olhos conseguem enxergar.




Este livro compõe-se de ensaios e crônicas que abordam as velhas questões ligadas à condição humana, os papéis culturais, a sexualidade, os mitos, a vida em sociedade, os novos comportamentos da pós-modernidade como o politicamente correto, a exacerbação do narcisismo e as redes sociais.
Numa linguagem franca e muito direta, o autor preconiza uma visão de mundo autônoma, propõe a construção de um poder pessoal que propicie independência psíquica, sugere um certo distanciamento do grupo, reavalia a solidão e é categórico ao afirmar que a felicidade é um sentimento que só se molda com as próprias mãos.
Trata-se de uma obra antiamenidades e contra lugares comuns.

Eis alguns títulos dos ensaios que ele denomina “exercícios de anatomia comportamental": 

O flagelo do amor improvável; O sofrimento dos machos Mostrando o cólo do útero; O macho sensível; O poder de baton; O amor – droga lícita; Os horrores da vida privada; Um encontro no labirinto; Os consumidores do sempre novo; A verdade é uma grosseria – entre outros.




A Guerra Colonial usou e marcou algumas gerações de jovens. Muito aconteceu, muito se fantasiou.

"Contos Que Eu Vivi" - são o relato daquilo que foi a realidade vivida dia a dia, descrita na primeira pessoa e do 3º G.C. da C.Caç 3396 - Lenços Negros.
















Colectânea de doze histórias, em que a fantasia e o fantástico se mesclam com o real, dedicadas à infância que amo tanto.



















Uma revolução no inferno é uma recontagem do livro bíblico de Jô, onde o inferno é o estado pessoal que se encontra a humanidade, e a revolução é a forma de vencê-lo.


















Este é um livro baseado em factos verídicos, vivenciados por uma mulher que poderia ser qualquer uma das leitoras adultas do mundo. Uma mulher que amou e detestou vários homens que poderiam ser qualquer um dos leitores. Do início ao fim é um livro que desperta sensações e erotismo. A escrita dos eventos está preparada para invadir o cérebro dos leitores nos sentimentos e na sua intimidade. Porque é verdade, porque é desejado e porque pode ser escondido. No pensamento, no pecado.
Catarina é a promissora Relações Públicas do Futebol Clube do Porto. Natural de Évora, estudou e vive em Lisboa. Desde que descobriu o homem e o prazer, ela expõe, ousadamente, a trama de amores e desencontros que são por ela detalhados com uma precisão crua, erótica e romântica. Um estilo que é pouco comum no romance português. Catarina descobre que é infeliz quando se apercebe que está noiva e não ama. Tornou-se dama do sexo. Começa a relembrar e a iniciar histórias na procura desesperada de encontrar o verdadeiro amor dentro dela e dos homens.
Conta aqui, ao noivo, todas as vezes que traiu, todas as vezes que amou. Tudo porque nunca esqueceu o seu maior amor e que a fará viver de novo, após uma tragédia. Sofia é amiga e confidente de todas as horas de Catarina. Tomás é o noivo de amor e feitio adormecidos e traídos. Há uma sogra antagonista, há traidores e há amantes. Há o Futebol Clube do Porto e as suas atualidades. E há Lisboa que é palco e espetadora. Os homens desfilam no romance como autênticos jogadores que se opõem ao coração das mulheres.
Catarina também se envolve com o clube das Águias mas será alguém improvável que levantará Catarina das cinzas e da promiscuidade. Tomás insurge-se uma personagem psicótica e revela-se. Tudo acontece num ritmo alucinante e de surpresas sucessivas. Numa madrugada, os ponteiros do relógio ‘parado’ de Catarina ganham vida, tudo muda. Mesmo quando o amor foi roubado ou o corpo ficou como uma casa vazia de pessoas ingratas que lá ‘moraram’, Catarina descobre que pode ser feliz de novo.



Quando a vida tem curvas e te perdes, não desesperes... há sempre rotundas para inverteres a rota‼
“Afina” o GPS e aponta-o para o destino que queres agarrar, sê audaz e conquista o novo, conquista o sonho!
Sofia, uma mãe, jovem, é confrontada com o fim do seu casamento, o desmoronar da sua família que a coloca em situação financeira delicada...
Decidida a não desistir de sustentar os seus filhos e lhes proporcionar a realização dos seus sonhos, resolve abraçar um projeto de vida diferente, ser “camionista”!
Apesar de não pertencer a esse “mundo” e de enfrentar inúmeros obstáculos, ousa ser diferente, não desiste e transforma os desafios em oportunidades...
Leva-nos numa viagem de uma vida, num mundo de homens, novo para ela, que acaba por conquistar a pouco e pouco, aprendendo com os erros que comete, deixando-se levar pela descoberta e o despertar de uma nova “princesa”, que qual fénix renasceu das suas próprias cinzas...
Esta é a história que podia ser de qualquer um de nós, uma viagem real mas também metafórica, de crescimento e evolução enquanto ser humano...




«(...) Um começa o conto, o outro continua, o primeiro regressa, o segundo recomeça, e sempre assim até se acabar e se dar um título.
O que começa um conto é sempre quem o não acaba.
O primeiro nome debaixo do título de cada conto dá nome ao que o começa.
O seguinte é começado pelo que acabou o anterior.
Um continua sempre a história do outro, sem combinações ou ensaios gerais, numa cadeia sem cessar, sôfrega das energias que brotam um do outro.
E assim se construiu esta obra.
Entre retratos impressos e silábicos de gente que nunca vimos mas que tão bem conhecemos…»











O sonho ditado pelas cartas terminou com o pior dos pesadelos. Cada um para seu lado.O Joca revoltado por ter de assumir que foi um erro apaixonar-se por uma menina 16 anos mais jovem e ferido no mais profundo do seu ser por mais uma vez, a mulher que ama o surpreender da pior forma possível, afoga as mágoas nas taças de champagne que deveriam felicitar a entrada do novo ano. Nem sequer quer ouvir o nome da Michelle e por impulso até o Pepito lhe retira. “Como poderia ser responsável por um bebé se nem tomar conta de um cão é capaz?” Abandonada pelo amor da sua vida, só por pensar… A Michelle apanha um voo para casa e passa o Réveillon sozinha, longe de tudo e todos. Exausta após as 24h mais delicadas da sua vida, adormece sem saber se terá o apoio incondicional dos pais ou se aos olhos deles quebrou todas as regras e terá de cumprir UM ANO a servir cafés. - Este era o acordo! Será que em oito meses o amor supera a dor da perda? Os fantasmas do passado? O ódio da rejeição? A cegueira do ciúme? Que terá feito a Michelle para provocar a ira dos Deuses e ver desmoronar o seu Mundo…  Uma apaixonante história de amor que prenderá o leitor da primeira à última página.


                                                    Continuar...             

maio 24, 2016

Lançamentos de Maio - (Grupo Autêntica)Gutenberg,Nemo e Infantil

Esse é um livro cheio de aventuras, mas com aquele toque de amor e motivação para realizar os sonhos, porque a gente sabe que às vezes faz falta um empurrãozinho no meio da luta diária. 
Além de explorar o que você sente, convidamos você a sair da zona de conforto e observar o mundo à sua volta, seja viajando, seja conhecendo sua cidade, seja tomando coragem para conhecer as pessoas e as coisas que estão por perto e que você nem sempre nota. 
Este é um livro sobre viagens – dentro e fora do seu coração. É um mapa para as coisas pequenas e especiais da vida. Cada minuto que você dedicar a ele tornará sua visão de mundo ainda mais ampla e especial. Mas ele só vai te mostrar os caminhos se você topar embarcar nesta loucura, fazendo-o seu de verdade. 
Com frases e reflexões, ilustrações fofinhas, fotos e tarefas que fazem a gente sentir vontade de largar tudo e ir viajar na hora, além de playlists para embalar os dias… E aquela carinha de diário que ajuda tanto na hora de abraçá-lo e fazer as atividades como se fosse seu melhor amigo. Nunca se esqueça de coloca-lo na bolsa! 
E fica aqui um convite: fotografe e publique tudo o que você fizer no seu Livro do Bem nas redes sociais com tag #livrodobem. Porque o que é do bem merece ser compartilhado.




Diana Highwood estava destinada a ter um casamento perfeito, digno de flores, seda, ouro e, no mínimo, com um duque ou um marquês. Isso era o que sua mãe, a Sra. Highwood, declarava, planejando toda a vida da filha com base na certeza de que ela conquistaria o coração de um nobre. Entretanto, o amor encontra Diana no local mais inesperado. Não nos bailes de debute em Londres, ou em carruagens, castelos e vales verdejantes… O homem por quem ela se apaixona é forte como ferro, belo como ouro e quente como brasa. E está em uma ferraria…

Envolvida em uma paixão proibida, a doce e frágil Diana está disposta a abandonar todas as suas chances de um casamento aristocrático para viver esse grande amor com Aaron Dawes e, finalmente, ter uma vida livre! Livre para fazer suas próprias escolhas e parar de viver sob a sombra dos desejos de sua mãe. Há, enfim, uma fagulha de esperança para uma vida plena e feliz. Mas serão um pobre ferreiro e sua forja o “felizes para sempre” de uma mulher que poderia ter qualquer coisa? Será que ambos estarão dispostos a arriscar tudo pelo amor e o desejo?





Zoé trabalha em excesso e ainda precisa suportar o namorado desempregado e grosseiro. Até que cruza o caminho de Thomas, um escritor de sucesso à procura de inspiração.

Nada intelectual, ela não sabe diferenciar Balzac de Batman, mas vai ter que ficar esperta… porque Thomas esconde um segredo que coloca Zoé no meio do que pode se tornar o escândalo literário do século.
De uma das quadrinistas mais conhecidas da França, Uma morte horrível é uma história de amor e ambição com uma heroína inesquecível.










O perigo ronda mais uma vez! Os recursos marinhos do Mundo da Superfície estão sendo drenados, ao mesmo tempo em que relíquias antigas e tesouros são roubados do grande museu da capital… E ninguém sabe o motivo. Esse é o início de uma nova aventura para o Capitão Rob e os soldados do batalhão Zero, uma história que coloca nossos heróis contra o maior desafio de suas vidas.















“Naquele brando inverno carioca de 1938, Mário de Andrade dava os primeiros passos de uma vida nova. Tinha anunciado à família que saía de férias, mas era mudança mesmo. Precisava fugir de São Paulo custasse o que custasse, embora com o sacrifício de arrostar pela primeira vez, já quase aos 45 anos, o afastamento do convívio materno que o aconchegava.

Ir ao Rio de Janeiro ia sempre, com alvoroço de menino. Achava maravilhosa a natureza; a gente o surpreendia e encantava. Cidade enfeada pela miséria, mas rica de humanidade, amava-a à distância, de amor platônico, feito de furtivos contatos. Numa de suas breves temporadas, assistiu ao carnaval carioca. A festa popular inspirou um poema em que botava pra fora sua “frieza de paulista”, seus “policiamentos interiores”. No Rio, convivia alegre com amigos escritores e artistas, entrava pela noite em discussões, lia e ouvia poemas nascidos de uma nova estética da qual ele, já conhecido como o “papa do Modernismo”, era pioneiro. Quem sabe, pensava, não poderia morar lá?

Desta vez trazia uma mágoa muito funda, causada pelo naufrágio de um projeto a que se dedicara todo durante três anos, à frente do Departamento de Cultura da Municipalidade de São Paulo. E essa amargura foi o elemento aglutinador de dores esparsas do corpo e da alma, sorrateiramente acumuladas.

Até então costumava dizer, descuidado: ‘Eu sou feliz!’. Mas de repente acontecera aquele grande dissabor, que o punha desarvorado diante das armadilhas do destino. Tinha ideia formada: considerava o destino uma conquista, realização perfeitamente controlada de “tendências pessoais”, e não trama inelutável dos fatos. Agora, desmoronada essa certeza, tudo ficava muito confuso.

O jeito foi a fuga, o exílio no Rio.”





Este livro-reportagem de Lícia Loltran é um convite à desconstrução de estereótipos sobre os relacionamentos homoafetivos. Há, na sociedade, uma distorção quanto ao público e o privado dessas relações e uma tendência em limitá-las, apenas, ao campo do sexo e da intimidade (privado) e não ao da afetividade, da busca pela felicidade e do respeito à diversidade. De forma humana e sensível, Lícia Loltran traz para o público leitor histórias de vida que ressaltam a busca pela felicidade fora dos “padrões” judaico-cristãos. Essas histórias também destacam as dificuldades de casais homoafetivos na legalização de suas uniões, nas adoções e, principalmente, na superação de preconceitos. Mesmo que o teor “militante” não se faça presente nos textos, este livro é, na verdade, uma brilhante iniciativa de humanizar casais de mulheres com filhos que fogem da heteronormatividade, mas que, para existirem, tiveram de se sujeitar a leis e à ordem estabelecida. Nesse sentido, o livro tem uma perspectiva política, pois traz situações decorrentes da própria luta dos casais homoafetivos, como a superação de barreiras familiares, sociais e institucionais. Tudo isso sem cansar o leitor, pois cada narrativa está recheada de detalhes, singularidades que, no conjunto, se tornam plurais. Na verdade, a leitura de Famílias homoafetivas: a insistência em ser feliz é mais que um convite à reflexão sobre o sentido de democracia e de respeito à diversidade em uma sociedade ainda homofóbica.





André Bazin nos mostra como ver, ouvir, sentir, compreender filmes e escrever sobre eles. Lições de coisas e de estilo. Ensina que filmes não “falam” disto ou daquilo, nem “abordam” este ou aquele tema. Filmes se “fazem com”: sobreimpressões, panorâmicas, reflexos em vitrinas, o barulho de uma descarga sanitária, posições de corpos no espaço, músicas, profundidades de campo, as peculiaridades dos sotaques das pessoas, reenquadramentos para a esquerda e para a direita, luzes e sombras. Os recursos da cozinha e do gosto cinematográficos.

No cinema, a realidade é aquilo em que acreditamos, e não o que “de fato é, ou foi”, crença criada por regras do jogo (do discurso) articuladas como sistema internamente referido e supostamente coerente, propostas implicitamente pelo filme e inferidas pelo espectador. Devemos sempre falar de efeitos de realidade, em vez de reprodução do real.

Para Bazin, Jean Renoir descobriu, reinventou, estendeu e exemplificou as muitas possibilidades do realismo no cinema, para que este fosse fiel à sua vocação. O filho de Auguste Renoir se afirmou como homem do futuro, que nenhum progresso técnico incomodou, e foi um dos mestres do realismo cinematográfico.





Num de seus primeiros livros, Infância e História, Giorgio Agamben sustenta que a cultura moderna não conseguiu elaborar uma ideia do tempo de acordo com sua concepção da história. Isso se deve, explica, à herança grega que, para além de suas diferenças, segue presente na representação cristã do tempo que a cultura moderna secularizou. De fato, retomando uma expressão de Santo Agostinho,
quer se trate do círculo, quer se trate da linha, ou seja, da temporalidade circular dos antigos ou da linearidade dos cristãos, o tempo é sempre concebido como uma sucessão contínua de pontos. E, desse modo, a experiência cristã do tempo permanece presa na subordinação ao espaço.

O presente trabalho procura confrontar esse duplo desafio: trazer à luz a experiência cristã do tempo, isto é, do tempo do Messias, para dispor de uma ideia do tempo à altura da dimensão histórica do homem.

Dividido em seis jornadas, o autor se ocupa das dez primeiras palavras da Carta de Paulo aos romanos. Cada uma delas é objeto de um comentário erudito que se alimenta das mais diversas fontes: da própria Escritura, da filosofia, dos midrashim judaicos, do direito romano, da literatura, etc. Todas se encaminham para o mesmo lugar, até um agora que já não é um ponto na sucessão do círculo ou da linha, mas um tempo que resta, que se contrai para abrir o presente à sua dimensão mais íntima.

Dois livros de Agamben são originalmente seminários, A linguagem e a morte, em que aparece pela primeira vez a figura do homo sacer, e o presente trabalho. Na minha opinião, eles representam, em grande parte, os pilares conceituais de sua vasta obra.





Esta compacta e vigorosa publicação, Formação de professores e Direitos Humanos: construindo escolas promotoras da igualdade, de Keila Deslandes, incide com muita propriedade no contexto brasileiro recente, marcado por ameaças aos valores democráticos. Cartografando o campo de tensões que se estabeleceu nacionalmente em torno dos temas gênero e diversidade nas escolas e políticas educacionais, a autora recuperou, em seu texto, análises sobre o conceito de gênero e sua incidência nos principais documentos federais, que embasaram as políticas educacionais do Brasil no período 2005-2015. Além disso, mapeou o revide de grupos fundamentalistas religiosos atuantes no poder Legislativo, analisando as alterações dos PNEs relativas à temática gênero e diversidade, bem como projetos de lei elaborados para impedir a abordagem de gênero nas escolas. Constituiu, com sobriedade, o campo controverso dos usos da categoria gênero, convidando, assim, o/a leitor/a a refletir sobre as políticas educacionais brasileiras contemporâneas e o papel das escolas na promoção da igualdade de gênero.








As imagens de Alex Lutkus são impactantes, únicas e, certamente, deixam marcas. Desconfio que Lutkus seja mágico! E, como todo mágico, ele precisa de palavras mágicas, rápidas. Certeiras. 
Precisa da poesia que só o Leo Cunha faz com tanta simplicidade e sofisticação. Conclusão: texto e imagem se encaixam que nem coelho e cartola. Uma beleza! 
Hoje é dia de magia: que tal abrir a caixa surpresa?